segunda-feira, 21 de julho de 2014

Do que não se leva

Tema: Promoção
Por Laura Reis

A vida toda num ciclo devidamente regrado: no inverno comprava roupas de verão, no verão comprava roupas de inverno e entre uma promoção e outra ia estocando presentes que seriam distribuídos aos afilhados, sobrinhos e netos no Natal. Evidentemente todos os recebiam com nariz torto porque a época de tal peça já havia passado.
Meias até podiam não ser seu costume, mas uma mesma peça pra 5 pessoas diferentes da família, sim.E o dinheiro da aposentadoria do marido já falecido por causas não reveladas, ia sendo guardado para nada mais nada menos que ela mesma, sabe-se lá porquê, quando ou onde.
Sua ajudante, como costumava chamar, era a única que sabia como resgatar toda a bolada. E, mesmo sendo tão leal e boa arrumadeira de casa por anos, nunca ganhou nenhum agrado. Nada nada nada. Nem repassado. A velha era amargurada e ainda fazia questão de dizer que presenteava aos outros apenas por obrigação, não concordava, mas seus pais lhe ensinaram isso.

Que não haja vida após a morte para ela saber que, quando bateu as botas, a primeira coisa que a ajudante fez foi reunir a família, repartir tudo (com a concessão de todos, se incluir na divisão) e, claro, ir até a loja certa com o que restou:
- Eu poderia ver os caixões em promoção, moço?


5 comentários:

  1. Já dizia minha mãe: Caixão não tem gaveta!

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  2. Eu queria ter dinheiro pra aproveitar as promoções de inverno... rs

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  3. Gente, e esse final vingativo e delícia de ler MALDOSA!!!

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  4. caixão não tem gaveta, nem bolsinha de óculos, por isso os meus vão NA MINHA CARA E AI DE VOCÊS QUE EU NÃO TÕ BRINCANDO.



    dei uma de Laurinha.

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