Tema: conto continuado
Por: Rosana Tibúrcio
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Precisava tomar um café. Comeria todos aqueles cinco pães que ela também gostava. Na verdade, gostava dos pães doces bem antes de conhecê-lo (tolinho).
Pensaria depois no que fazer durante esses três meses.
Espera aí, ela refletiu: a carne é fraca, o coração é bobo e a mente não trabalha direito se esses dois estiverem assim. Melhor ligar na operadora e cancelar esse número agora. Foi o que fez.
Que trabalho teria para contatar todo mundo, pensou. Quanta grana gastaria!!!
Lembrou que tinha todos os telefones anotados a mão, inclusive o dele. Mais fácil então. E tomou outra decisão: arrancaria a página da agenda onde o nome dele estava escrito. Afinal, quem mais, nos dias de hoje, tinha nome começado com a letra W? Aproveitou o fogo que aquecia a água pro café e destruiu aquele pedaço de papel com nome não muito bonito. Não sabia o número dele de cor; no aparelho ele era, na discagem rápida, o “cinco” e pronto.
Levando em consideração o silêncio, e ansiosa para vê-lo e abraçá-lo de novo, decidiu terminar aquele último café que tomaria comendo, sozinha, aqueles cinco pãezinhos doces... (nunca voltaria à padaria) para só depois, na sua cama e abraçada àqueles travesseiros todos, chorar pelas mil duzentas e oito horas que ficaria longe dele. Choraria uma única vez e só...
E de manhã, Estela voltaria aos relatórios pomposos com o coração em pedaços, a carne doída da noite revirada e com a mente calculando as contas do novo celular.
Coração, carne e mente numa mesma sintonia: aos trapos... mas certa de que, ao final dos setenta e dois mil, quatrocentos e oitenta minutos, tudo ficaria bem.
Melhor pensar assim...
Uma linda quinta-feira para todos vocês, minhas gentes, pois nas quintas há algo diferente no ar e hoje há pegadinhas (2) num conto continuado... E aí? Lembrando que: já fui bem melhor...




