sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Voe atrás do que te faz feliz


Tema: Conto continuado
Por Laura Reis


Também com a letra do pai, uma mensagem que não caberia noutro momento “Meu pequeno, de futuro imenso. Ainda não sabemos o que a vida lhe reserva, mas há uma certeza: estaremos sempre com você, mesmo quando não acreditar nisso. Voe atrás do que te faz feliz. Só assim saberemos que valeu a pena. Te amo. ”

Continuou a limpeza, muito mais leve por dentro e terminou a organização, deixando o livro ali, aberto com a foto, sobre a cama. Tomou um banho, coragem e o último ônibus até a casa dos pais.


“Quero voar”, disse antes mesmo de terminar o abraço de cumprimento. 
Com os olhos marejados e na companhia de quem mais amava, relembrou sua infância atrás dos aviões de brinquedo e ditou que o futuro poderia ser assim: seguir o sol, como aquelas partículas que pairavam nos feixes de luz, sobrevoando os prédios empoeirados que um dia estudou para construir.

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

A fé tá viva e sã...*

Tema: conto continuado
Por: Rosana Tibúrcio

Senta na cama e começa, pela milésima vez, a organizar em sua mente o que dizer ao pai sobre o sonho realizado que não quer mais viver. Como explicar a mudança profissional que decidiu fazer e que, consequentemente, afetará toda a família?

Viveria o seu segundo grande sofrimento; o primeiro foi tudo que viveu antes de entender que não queria mais ser quem era. O segundo seria dizer ao pai sobre essa decisão. E ele sabia que o cansaço diário tinha a ver com não só com o acúmulo de serviço, a ausência de férias, as noites mal dormidas, a raiva contida, tinha a ver com a falta de coragem de expressar sua decisão.

Afinal, o sacrifício de seu pai... Quantas renúncias!!

Voltou os olhos para a parte inferior da estante ainda não organizada, viu os livros infantis que ganhara quando criança e as partículas de poeira sobre eles. Desejou ser apenas uma dessas partículas. Desejou ter fé!!!

Ao pegar o primeiro livro de sua infância, encontrou outra foto solta com seu pai e sua mãe, olhou atrás da foto, respirou fundo, deu um leve sorriso e percebeu que não precisaria sofrer tanto assim.

Continua...



Uma linda quinta-feira para todos vocês minhas gentes, pois nas quintas há sempre algo no ar e hoje há um bombinha para a Laurinha explodir lindamente amanhã... AGUARDEMOS!!

*Da canção "andar com fé" de Gilberto Gil. 
Obs.:Coloco título e explicação assim copiando ideia do Rafa, porque não tenho originalidade meeesmooo

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Faça a diferença

Tema: Conto continuado
Por: Nina Reis


A foto daquele dia em que segurava fortemente seu diploma nas mãos. Ela retratava bem o brilho nos olhos, o largo sorriso e mesmo assim não disfarçava o nervosismo.
O responsável pela linda fotografia, era seu pai, o mesmo que o havia presenteado com o livro de capa azul.
Apenas os dois sabiam a importância daquele diploma e como, a partir daquele momento, tudo, tudo haveria de ser diferente, e foi.
Atrás da fotografia, um bilhete, que dizia: "Muito orgulho de você meu filho. Realize seus sonhos, evolua como ser humano e não deixe que a maldita (cólera) lhe contamine. Faça diferente do seu pai" 
Ao terminar de ler o bilhete, ele fecha o livro, as partículas de poeira sobem e seus olhos ficam completamente marejados.  Senta na cama e ... 
  


E continua.

terça-feira, 22 de agosto de 2017

Dentro de um livro, na cinza das horas*

Tema: Conto continuado
Por Rafael Freitas

Outra vez ouviu a própria voz ecoando pelo quarto enquanto praguejava contra a poeira acumulada na estante. Há dias sentia-se irritado com os livros que estavam fora do lugar e com a camada fina, porém presente, do pó amarronzado que lhe manchava a ponta dos dedos quando experimentava o gesto batido de deslizá-los pelas prateleiras do móvel, criando um rastro.

Lembrou-se de que, quando criança, gostava de ver nos feixes de luz que vazavam pelas portas entreabertas de algum cômodo da casa, as muitas partículas que pairavam pelo ar, como pelinhos, e imaginava se o ar seria assim o tempo todo e em todo lugar: cheio de ciscos, mas ciscos que dançavam na luz do sol.

Há quanto tempo não via uma cena como essa! Ainda mais depois das mudanças no trabalho. Estava feliz, porém cansado. E acabara de decidir ao olhar para o último caminho traçado pelos seus dedos na estante vermelha: de hoje não passa.

A estante acomodava, principalmente, seus livros. Não eram muitos, mas eram preciosos. Tirou-os cuidadosamente do lugar e limpou as prateleiras. Depois, passou um pano limpo em cada um dos livros, eliminando a poeira das capas e das laterais. Fazia tal limpeza com prazer e sem pressa, detendo-se naqueles que lhe traziam boas lembranças, às vezes relendo as informações na capa ou alguma dedicatória.

Dentre eles, um livro de capa azul se destacava. Um livro muito querido, do Gabriel Garcia Marques, que fora um presente. Ao pegá-lo, lembrou-se de um tempo em que era feliz e de um sonho realizado. Notou que, quase na metade das páginas, havia algo que lhes separava, um papel ou coisa assim. Uma foto. A foto daquele dia em que...


E continua.



* Trecho da música Vambora, de Adriana Calcanhotto.

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Tá feio, tá ruim!!!

Tema: precisamos melhorar
Por: Rosana Tibúrcio
 
Vai ter cabelo branco sim... e lindo!!!
Entre criticar o outro pelas costas e falar para o outro o que não foi perguntado, fico com a primeira opção, mesmo sabendo que ela não é a ideal. O correto seria não falar nada de ninguém. Mas... PÁRA (com acento porque sou revoltada até hoje), ninguém é assim.  

Vejamos. O que você tem com a vida do outro que resolveu: fazer uma tatuagem que, para você, é horrorosa? Deixar os cabelos brancos (eu)? Desenhar a sobrancelha de caneta bic ou pincelzim?? (te amo Padre Fábio) Ficar com a boca e testa estilo “feito em série”? Escrever textão no facebook? Retuitar o que gosta dos programas de tv que ama (eu)? Escrever sobre política, futebol e religião? Postar, no Instagram, foto de cachorro ou gato, pôr do sol (eu), comida em prato feio, unhas da semana (eu), bebendo todas ou de coloridos (eu)? Gostar de funk ou sertanejo (eu)? Falar top, affe (eu) e rir com hahahaha? Tá, PAREI!!!

Precisamos melhorar, segurar a nossa língua e não falar o que não foi pedido para ser falado. Percebo que há um exagero absurdo nessa questão de liberdade de expressão. Tá feio, tá ruim!!! Precisamos melhorar!!! 

Não gosta de foto de colorido? Não poste, não siga quem posta. Você que é homem, não gosta de sutiã bege? Não use. Não gosta de textão no FB? Não siga quem elabora textão. Veja bem como é fácil evitar essa gastura de achar esquisitice na escolha do outro.

Essa coisa invasiva provoca, pelo menos em mim, o que há de pior como resposta. Falou mal do meu cabelo branco, para mim? Falo mal do cabelo seco e sem brilho que, habitualmente, o outro que falou do meu, possui. E, assim, por diante... fico mais chata do que o chato. Tá feio, tá ruim!!! Precisamos melhorar!!!

E essa melhora passa pelo exercício diário de se colocar no lugar do outro, de respeitar o outro, de pensar: “gostaria de ouvir ou ler isso a meu respeito, sem eu ter pedido opinião?”

Tô meio de saco cheio desse excesso de palpite. Ficaria horas contando tudo que já ouvi sobre eu não pintar meus cabelos. Mas tenho o coração bão e pouparei vocês.

Quer falar mal do que o outro usa ou posta? Venha cá, pegue seu banquinho que te escuto, quiçá falo também... mas que fique apenas entre nós. Fala para o outro não. Melhore!!! Tá feio, tá ruim!!! Precisamos melhorar!!!



Uma linda quinta-feira para todos vocês, meus amores, pois nas quintas há sempre algo diferente no ar e hoje há uma boa dica para você parar de sentir e de provocar gastura.  

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Um pensamento, duas garfadas, meio exercício e nenhuma conclusão

Tema: Precisamos melhorar...
Por Laura Reis


Reza a lenda que comecei a fazer pilates semipatrocinada pelo Beblue e que eu vou dar um jeito de cuidar mais da minha saúde, né? Comer melhor, fazer outros exercícios também.

Porque assim, tem um ano que passo em frente a uma academia e só de olhar o pessoal correndo, pedalando, levantando uns pesinhos ou vestidos com aquela roupa, já sinto que estou me exercitando. Perco vários gramas e centímetros naqueles segundos.

Aí me lançam uma lata especial de Leite Moça que eu, obviamente, quero colecionar. São 5 modelos e vários impulsos para fazer brigadeiros, porque a criatividade chegou e parou aí.

Porque assim, eu me interessei por cozinhar também, mas fui naqueles esquemas de estrogonofe, macarrão, lasanha e só. O interesse também parou por aí. Porque “pelo menos eu tô fazendo minha comida”, mesmo que pouco saudável.

Aí eu fico pensando que preciso aproveitar bem a vida e me vem aquele dilema: isso significa comer o que quero, fazer o que quero ou me cuidar para estar viva por mais tempo para fazer outras coisas que ainda nem descobri se/que gosto? Não sei.

E qual a moral dessa história? Também não sei. Acredito que preciso parar um pouco mais para refletir e compreender o que de fato eu quero dessa vida e se isso vale a pena, né?

Mas primeiro vou ali rapidinho, só comer alguma coisa antes... Depois eu volto ao raciocínio.