quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Dueto entre gigantes

Tema: se vivo, assistiria o show de
Por: Rosana Tibúrcio

Contrataria Nelsinho Mota para organizar o show da minha vida: o da dupla Amy e Regina. Ou seria Elis e Winehouse? 

Fico só imaginando o pouco caso das duas para com a plateia: as dancinhas e os olhares zombeteiros; a suavidade e potência da voz; um quase sussurro mesclado aos gritos numa ou noutra canção; um dueto que mais pareceria duelo entre gigantes; um jeito de brincar com a voz, os músicos e a plateia. 

Esse show representaria a timidez gritante de duas das maiores cantoras do mundo. Elis e Amy morreram muito cedo, duas mortes de quem pedia socorro o tempo todo e não houve quem pudesse socorrer. 

E hoje estamos aqui, pobres mortais que amávamos Elis e Amy, sentindo um vazio em meio a tantos músicos e músicas novas e sem ninguém, mas ninguém mesmo, capaz de substituí-las. O palco está vazio. Ficará. 

Não há quem cante e dance como Elis. Não há quem cante e dance como Amy.

A playlist? Não poderia faltar Wake up alone, Atrás da Porta, Garota de Ipanema, com Amy arriscando no português e, de resto, até com "atirei o pau no gato" eu choraria, ahhh choraria; e não seria pelo pau no gato...

Uma linda quinta-feira pra todos vocês, meus amores, pois nas quintas há sempre algo diferente no ar e hoje há sonho... e por que não?

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Tâmo junto Máicou

Tema: Se vivo, assistiria o show de
Por: Nina Reis


Acredite e espante-se: não tenho um cd, um disco e nenhum pen drive com suas músicas gravadas, mas sempre amei e sim, se fosse vivo, jamais perderia a oportunidade de ir a seu show. Ainda mais agora que me pego todos os dias ouvindo uma canção sua.
Você foi o rei do pop, criou modinha de roupa, criou dancinha esquisita, foi considerado o artista mais rico do mundo, queria amizade sincera com você, queria mais que isso, queria puxar um banquinho, te convidar para um café e mesmo falando bem porcamente seu idioma, perguntar: Por que mudar de cor? Por quê? Já se olhou no espelho? Num tá legal amigo, mas continue, cantando e encantado essa nação.
#tamujunto


Top 5
You are not alone
Who´s loving you
Billie Jean
Love Never Felt So Good

Black or White

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Dove sei e come stai... ♪

Tema: Se vivo, assistiria o show de
Por Rafael Freitas

Sempre tento fazer uma lista das minhas músicas preferidas. São tantas que acabo desistindo: tenho medo de não lembrar de alguma ou ser injusto na classificação.

Mas sempre tem aquelas que nunca esqueço. Entre elas, "Due", cantada por Renato Russo no álbum em italiano Equilíbrio Distante.

Quem me conhece um pouco certamente citaria o nome dele entre os shows que eu adoraria assistir, mas que já não são possíveis. Lembro de ouvir "Eu sei" no rádio e a notícia de sua morte. Era meu horário de almoço, eu havia passado na casa da minha avó para ver meu primo, doente na época. Depois disso, colecionava todas as revistas com matérias relacionadas a ele e à Legião Urbana. Comprei todos os CD's. Gostei muito, decorei tudo, desgostei. Mas nunca deixei de achar sua voz linda e algumas letras incríveis.

E como não ter vontade de ver de perto a interpretação de Elis Regina? Tudo bem, eu ia morrer desidratado quando ela cantasse "Cais", "Atrás da porta", "Corsário", "O que foi feito devera", "Redescobrir" ou TODAS.


Depois, internacionalmente falando, tem o Freddie Mercury. Que voz, minha gente... Que voz! Se houver reencarnação, onde faço requerimento para voltar com a voz dele? Pretensão define... rs

Por sorte, temos o legado desses e de tantos outros artistas incríveis para nos trazer emoção, sucumbindo o caos, constituindo a trilha sonora dos nossos dias em playlists cuidadosamente selecionadas para cada situação.

É bom ficarmos espertos e aproveitarmos as oportunidades de assistir àqueles que amamos e ainda estão vivos. Eu é que não quero morrer sem ter assistido Ney Matogrosso, Marisa Monte, Boca Livre, Roberta Sá, mais algumas vezes do Milton Nascimento e do Chico... e por aí vai!



segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Vale tudo


Tema: Se vivo, assistiria o show de
Por Laura Reis

Penso que, mais que um show como qualquer outro, a noite com esse ser humano tão excêntrico comandando um palco e uma plateia, seria um verdadeiro evento. Espetáculo desses em que, mesmo sabendo todas as músicas já enraizadas, de cor e salteado, não se consegue acompanhar porque há mais comentários entre as letras e melodias do que música, de fato. É comentário aleatório, pedido de grave, diminui aí, leva, leva vitória régia, todo mundo dançando, alô Luciana, beleza demais, vamo lá cantando, apresentação das moças maravilhosas do vocal, que beleza.
E ainda assim, todo mundo canta, dança e só consegue ser feliz com todo esse ritmo maravilhoso, Tim Maia. Do leme ao pontal tomo guaraná, suco de caju, goiabada, só quero chocolate, o que eu quero é sossego azul da cor do mar porque é primavera, dia de santo rei, gostava tanto de você, me dê motivo, não me amole com esse papo de emprego, a firmeza e os lampejos do farol.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

O ladrãozinho fedido

Tema: Retrato falado
Por: Aninha

Oi gente, tudo bem? Aposto que todos estavam com saudades de mim. E né? Tia Rosana só insiste para eu fazer uma composição no Guaraná quando o tema é complicado.
- Aninha, você sabe o que é retrato falado?
- Tipo desenho animado, Tia Rosana, (disse isso brincando, tias e tios velhos)
- Não Aninha, deixa que te explico. (ela não entendeu, meu Deus... e me explicou!!)
E eu, menina compassiva com os mais velhos fiquei ouvindo aquilo tudo. No final da explicação visualizei, mentalmente, uns cinco retratos falados dela: os cinco com gesso nos braços, pernas, pescoço. Pois minha nossa, em que mundo tia Rosana vive?
Mas vou contar a única experiência verdadeira que tive na vida em relação a retrato falado. Vamos lá.

Quando eu era mais menorzinha do que sou, lá no Acre, houve uma ocorrência que assustou minha cidade inteirinha. As moedas sumiram dos cofrinhos das casas, das gavetas de madeiras das mercearias, dos bolsos das vovós e dos vovôs. Não havia uma única moeda pra contar a história do banco central e tal...
Alguém então disse que ouviu alguém contar que uma criança num sei das quantas tinha vista o tal meliante roubando pratinhas do avô. Do avô Juvenal. Qual o quê? Sobrou pra mim. Em meio a tantos "Juvenais" por que o meu avô? 
Me levaram pra um lugar feio, de nome delegacia, com o vovô pra me servir de companhia. E foi nesse dia inocente que fiquei sabendo VIU TIA ROSANA? o que era retrato falado. E fui dizendo o que eu me lembrava. Tinha uma cartola vô que caiu no chão porque ouvi o homem de sapato feio e furado dizer: caiu minha cartola, tenho que voltar. E ele fedia vovô. O desenhista de retrato falado pouco olhava para o meu rostinho e continuava rabiscando: como se ele escrevesse minhas palavras nos traços que fazia. O que mais? perguntou o vovô, Tinha uma maleta feia e uma blusa vermelha fedida com uns botõeszões amarelos e feios e fedidos. Tá, menina, mas além da roupa, o que mais você se lembra? Nariz, boca, olhos? Ah, o nariz era estranho, com uns óculos na ponta e porque misturava com a boca grande feito bico de pato. Os olhos eram grandões arregalados e ele tinha cabelos meio cacheados por baixo da cartola fedida. Ah, não é parte do corpo dele, vô, mas ele usava uma bengala fedida. 
Depois que eu falei uns quinhentos fedidos o moço desenhista parou, olhou pra mim e me perguntou: como era esse fedido do homem, menina? Era cheiro de quê? E eu disse: de pum, de pum ruim, passado e fedido, moço. O moço desenhista arregalou os olhos, acabou uns rabiscos e perguntou: é esse hominho aqui, menina? E eu disse: sim, é esse velhinho fedido.
Meu tio e minhas tias velhos, essa foi a primeira e última vez que vi meu avô Juvenal bravo comigo. Ele gritou: Aninha, para de brincadeira esse aí é o... antes dele completar o nome eu me assustei com aquele gritão, dei um pulo e acordei dum sonho ruim. Cai em cima da minha coleção de revistinhas preferidas. Era só um pesadelo. 
Apesar do susto, depois que acordei eu sorri contentinha porque amo meu personagem predileto e amo meu avó que também solta uns puns fedidos. Aposto que ele passou pelo meu quartinho e aproveitou que eu estava dormindo... para soltar uns dele. 
Pronto, meus tios e tias velhos vocês já sabem quem é o meu personagem do retrato falado tão famoso pelos puns e pratinhas que tem?
Se não, voltem a ser crianças que só faz bem... eu garanto!


Uma linda quinta-feira para todos vocês, meus amores, pois nas quintas há sempre algo diferente no ar e hoje há a inocência de Aninha sim, e se reclamar, semana que vem tem mais.




terça-feira, 19 de janeiro de 2016

E ele continua à solta

Tema: Retrato falado
Por Rafael Freitas

_ Roubada, então?
_ Sim, Doutor. Roubada. Roubada!
_ E como era o meliante?
_ Horrível! Era horrível! Não era alto nem baixo. Magro, com os olhos fundos, com grandes olheiras. Olhos negros como a noite, assustadores. Assim como os cabelos, negros e longos, na altura dos ombros, cacheados. Tinha um nariz aquilino e, abaixo dele, um bigode com as pontas enroladas e barba. Usava um chapéu preto, enfeitado, com plumas brancas...
_ Minha senhora, você sabe que não estamos aqui para brincadeiras, não sabe?
_ Sim, senhor. Nem eu! Não bebi tanto assim! Eu me lembro!
_ Prossiga.
_ Ele tinha uma postura altiva, refinada. Dava pra notar sua nobreza e seus bons modos mesmo naquela expressão permanente de ódio. Trajava uma roupa de veludo vinho, enfeitada de dourado, com punhos e gola de renda branca na camisa que estava sob o casaco. Os sapatos pretos brilhavam, com laços de fita e fivelas reluzentes. E no lugar da mão, no lugar... Ai, meu Deus! Ele não tinha uma mão! No lugar da mão esquerda havia um gancho de prata, afiado e feroz, disposto a qualquer tipo de atrocidades!!!
_ MINHA SENHORA! JÁ BASTA! Vamos parar por aqui! De onde saiu essa história? De um conto de fadas?

_ Não, senhor! Foi num baile à fantasia!

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Humor negro

Tema: Retrato falado
Por Laura Reis

- Vamos começar pelo físico, senhora. Fale as características que você se lembrar...
- Ah ele tem os cabelos grisalhos, cheios. Um corte um pouco acima das orelhas, assim, e bem estruturado. Deve ter mais de 40 anos... Acho que tinha um bigode também, não tenho certeza, porque sempre ficava com a mão no rumo da boca, parece que pra disfarçar alguma risadinha ou mesmo cochichar pra ele mesmo alguma coisa, não sei, não entendia... Mas tinha certa risada ali, porque dava pra identificar os dentes grandes escapulindo em meio aos dedos que ficavam na frente. A pele morena não parecia ser bem cuidada e o nariz parecia estar um pouco inchado. Se bem que deve ser aquele tipo de nariz meio “batata”, sabe? Mais largos do que compridos... É, deve ser. Os olhos pequenos...
- E como ele se apresentava à senhora?
- Não sei, ele não falava coisa com coisa e, assim, além de tampar a boca com a mão esquerda, tinha um chapéu de tecido mais molinho, que mesmo com uma certa dobra na testa impedia de termos contato visual. E usava uma roupa chamativa, que eu não entendia porque normalmente gente ruim assim precisa usar roupa discreta, né? Talvez ele queria trabalhar a psicologia inversa, não sei... Enfim... ele também era baixinho, assim. Ouvi alguém chamando “cearense”.
- É mais ou menos assim, senhora?

- Senhora?