quinta-feira, 18 de março de 2010

Um lugar* quase indescritível

Tema: descrição de um ambiente
Por Rosana Tibúrcio

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Na varanda que dava para a entrada da casa grande havia umas muretas suficientemente largas para que alguém pudesse se sentar ou deitar sobre elas. O chão era frio, um frio gostoso, que aconchegava, refletia calma e lugar bom de ficar. Havia duas grandes redes bastante disputadas.
A sala era imensa com poltronas escuras, mas não eram de um “escuro” triste; diria sério: pra gente grande ficar e conversar.
O chão de tábua corrida brilhava o resultado de momentos firmes em que alguém caprichoso, empunhando um escovão com uma flanela lisa por baixo, cuidava pra que ficasse como um espelho.
Não havia muitos enfeites naquele lugar, o espaço era livre, quebrado apenas por um tapete que cobria a largura da porta. Era obrigatório limpar os calçados, tirá-los se preciso, caso alguém viesse, da terra molhada, em dias de chuva.
Depois da sala havia um corredor imenso com várias portas de madeira que davam para inúmeros quartos da casa. As paredes desse corredor eram ocupadas por fotos de toda a família e amigos: sem nenhuma ordem específica.
No final do corredor ficava o cômodo mais disputado da casa; perdia, às vezes, para a varanda, mas só em noites de cantoria.
A cozinha, o melhor ambiente da casa, era imensa também. Um forno a lenha, uma mesa para perder de vista, além de outros móveis necessários para um lugar como aquele.
A melhor hora do dia era na parte da manhã em que se servia um café melhor que qualquer hotel cinco estrelas. Várias quitandas eram retiradas do forno a lenha: bolo de fubá, laranja, cenoura ou chocolate; biscoito de polvilho, cascudo ou de queijo; sonho; rabanada; pão de queijo; bolachinhas de nata ou leite. E para acompanhar havia o famoso café (não o quiçá, mas igualmente famoso... rs) além do leite quentinho, chocolate em pó, mel, queijo de minas, requeijão escuro, geléias de vários sabores e outras delícias.
Naquela cozinha a meninada não se alimentava só das comidas boas e caprichosas feitas pelas “tias”; era ali o espaço mais democrático da casa grande. Aquela frase, normalmente usada na sala de poltronas escuras: “a conversa não é pra criança”, jamais era dita naquela cozinha aconchegante e, quem fosse mais esperto, chegava mais cedo e saía por último.
Os causos contados, muitos deles pela enésima vez, tinham sempre o sabor do novo, pois um gesto, um “mas” ou um “porém” eram acrescentados, propositalmente, no meio do caminho. O fim já se conhecia, mas o percurso da história era quase sempre surpreendente.
E quando alguém resolvia tirar um som da colher batendo num copo de vidro? Uma orquestra se formava, terminando com risadas altas, livres e felizes.
Ali naquela cozinha da casa grande era o lugar mais feliz do mundo. Um lugar em que os utensílios, além do forno a lenha e da mesa grande nunca foram muito importantes pra se guardar na memória. Naquela cozinha os sabores, os gestos e as sensações eram e são a melhor lembrança, mas quase indescritíveis. Só vivendo!
..
Uma linda quinta-feira pra todos vocês, minhas gentes, pois nas quintas há sempre algo diferente no ar e hoje há um sonho bom de um lugar feliz.

*Um lugar em que já estive, por mais de uma vez, em sonho: juro!!

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22 comentários:

  1. Pelo sabor do gesto
    Composição de Alex Beaupain; versão de Zélia Duncan)

    Quem já tocou o amor pelo sabor do gesto?
    Sentiu na boca o som? Mordeu fundo a maçã?
    Na casca, a vida vem tão doce e tão modesta
    Quem se perdeu de si?

    Eu já toquei o amor pelo sabor do gesto
    Confesso que perdi, me diz quantos se vão?
    Paixões passam por mim, amores que têm pressa
    Vão se perder em si

    Se o amor durou demais, bebeu nas suas veias
    Seus beijos de mentira não chegam muito longe
    Paixões correm por mim, são só suaves febres
    Seus beijos mais gentis derretem pela neve
    Pra que tocar o amor pelo sabor do gesto
    Se o gosto da maçã vem sempre indigesto?
    Amarga essa canção, os dias e o resto
    Se perde como um grão

    Mas se eu ousar amar pelo sabor do gesto
    Te empresto da maçã, vai junto o coração
    Esquece o que eu não fiz
    Te sirvo o bom da festa
    De um jeito mais feliz

    Paixões correm por mim, eu sei tudo de cor
    carinho sem querer me cansa e me dói

    Se o amor vem pra ficar, faz tudo mais bonito
    Me basta ter na mão e o corpo tem razão

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  2. Acordei e pensei: vou falar do ambiente onde a manteiga, dentro de um pão dizia assim: hahahahahahhahaha




    Mas aí eu me lembrei desse sonho e pimba: vai cê mesmo...


    Eu SE divirto...

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  3. Agora falando sério: num é um lugar bom de se viver?
    beijossssssss e queijosssss

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  4. A cozinha da casa da minha bisavó era quase assim. A diferença é que ali, criança não tinha vez. E a cozinha nem tinha tanta graça.

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  5. Gente!
    Eu lembrei tanto daquela música "Fazenda" enquanto li o post!

    "E a meninada respirava o vento até vir a noite, e os velhos falavam coisas desta vida... Eu era criança, hoje é você e no amanhã nós..."

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  6. Até a cantoria poderia ser nessa cozinha, uai.
    Com tanta coisa boa mpra se comer... huummm

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  7. Eu nunca tove sonhos repetidos, ainda mais com um lugar bacana como esse... =[

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  8. Rosaninha surpreendendo!

    Um dos melhores textos seus que já li.

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  9. Rafilhoteeeee, não sei que muscaaaa é essa. Ou sei?

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  10. O Taffa é meu amigo, ele me elogia e eu gostiiioooo

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  11. Minhas filhas sumidas. Vou explicar: a Nina como sempre tá complicado pra ela, por ora... já já tudo se resolve; Laurinha tá em Uberlândia City... sacaram?

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  12. A Helô é nossa convidada desta semana. Posto o texto dela mais tarde ou amanhã cedo, ok?
    Tô meio cansada hoje...

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  13. Eu adoro esse sonho meu,minhas gentes. Sonho com esse lugar: as redes, a mesa grande e o café.

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  14. gente... jurei que era a casa que mamae queria ter... nada de sonhos. só vontade, mesmo.

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  15. fiquei meio decepcionada no final, num vou te mentir.....



    /aquela que só pega o lado ruim né?

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  16. achei muito sensação as descrições. a melhor até agora.

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  17. e o tanto de comida?
    JÁ QUERO AGORA

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  18. Um dos melhores textos seus que já li. [2]

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