quarta-feira, 13 de novembro de 2013

A vida: ao vivo e em cores

Tema: Cores
Por: Vanderley José Pereira

M2 (12 anos) - Aniversário em um parque de diversões (percepção somatossensorial): Enquanto desenhava o aluno narrava: a esquerda e acima castelo, abaixo fliperama, no centro piscina de bolinhas. Fonte: Aqui!

   Sábado de sol, fim de tarde — um dia bonito em suma —, nada fora do habitual acontecia naquele parque: vendedores de algodão-doce, crianças brincando, mulheres de meia idade conversando, senhoras alimentando os pombos, senhores (avozinhos) jogando dama e algumas pessoas avulsas que fugiam daquela aura bucólica.

   Ao fundo, próximo ao bosque e antes do parquinho, uma cena em especial chamava a atenção: uma criança por volta dos seis ou sete anos e um homem, provavelmente executivo, visto que ele estava trajando roupas passadas; e, ao fundo destes, um jovem, pós-adolescente, todo vestido de preto com correntes penduradas, sentado escorando em uma árvore e apático à vida. A cena era digna de pintura, pois fugia do esperado pelo ambiente.

   O fato é: foquei minha atenção nessa estranha composição formada por um jovem “rebelde”, um homem “executivo”, uma criança “solitária” e um parque bucólico. Notei que a criança não interagia com os demais, brincava sozinha, ou não, talvez tivesse amigos imaginários. A verdade é que não sei, mas mil hipóteses passaram por minha cabeça. O pai analisava mil papéis. Oscilando sua atenção em uma hora nos papéis e míseros segundo no filho. Dado ao correr do tempo, a criança já estava entediada — imagino —, pois não procurava mais a atenção do pai e tampouco brincava. Neste momento o pai a presenteou com um algodão-doce. 

   Horas se passaram e eu ali, fazendo o Sherlock Holmes social. Num dado momento, quando já estava cogitando buscar outra cena para ser explorada, vejo que a criança chama seu pai e esse volta o olhar em sua direção: gélido! Não sei o que ela queria, não sei o que ele disse, o que sei e que após isso o pai voltou a sua papelada e a criança saiu correndo sem direção. To-tal-men-te sem direção! Ela corria e corria, e foi em disparada na direção daquele jovem “rebelde”, o choque era inevitável. O jovem a amparou. O algodão doce estava minguando devido às lágrimas... Os dois ficaram conversando e rindo. Para minha surpresa o jovem deu a devida atenção à criança. Depois de acalmá-la, a levou ao seu pai, que não havia ainda notado sua ausência. O jovem conversou e conversou com o senhor que logo depois foi embora.

   Fiquei intrigado: o que raio aconteceu? O que eles conversaram? Tomei coragem e fui lá, conversar com o “rebelde”. Ele que de rebelde não tinha nada, foi gentil e se prontificou a sanar minhas duvidas. Disse que chamou a atenção do “executivo”, que ouviu tudo calado. E disse que iria dar mais atenção ao filho. Mas hoje ele estava daquele jeito, pois a vida tinha pregado uma peça nele, havia perdido o emprego, e sua mãe havia morrido. Só por isso tinha levado o filho no parque, para poupá-lo da tristeza que iria estar em sua casa naquele dia. 

   “o pai não era um pai ruim; o jovem não era rebelde” — eu pensei.

   O jovem continuava a me contar a historia, mas uma coisa me chamou a atenção: a criança era cega, sim cega! — isso explica o porquê dela brincar sozinha e ter corrido sem uma direção. 

   Por fim, fui-me surpreendido com o motivo do choro e a tamanha sensibilidade do jovem. Ele me disse o choro foi motivado pela criança querer saber a cor do algodão-doce, do parque e do céu; e o pai, dado aos ocorridos, ter sido ríspido com ele, dizendo que não importava, pois ele era cego mesmo. 

   O jovem disse que acalentou a criança com a emoção de sua arte: pintura. Explicou que ele disse que o algodão-doce era rosa. Mas não só rosa, assim seco, pois sabia que aquela palavra era solta para alguém que nunca havia enxergado. Então explanou que o rosa era como o algodão-doce: macio, suave, sensível, doce, e que devia ser reconfortante como o abraço de sua mãe; o parque era verde: como a liberdade, como poder brincar, se sujar, sem se preocupar com o tempo; e por fim o céu: era um lugar tranquilo, calmo e quente como o conforto de sua cama. Terminamos a conversa aí.

   Terminado meu trabalho de Sherlock Holmes, conclui que as aparências enganam, e como é bom ser enganado, neste caso em especial.

P.S.: A imagem foi tirada de um trabalho intitulado como "O ENSINO DO DESENHO PARA CRIANÇAS CEGAS: UMA PESQUISA-AÇÃO JUNTO À ESCOLA DE EDUCAÇÃO ESPECIAL PROFESSOR OSNY MACEDO SALDANHA" de Diele Fernanda Pedrozo de Morais (e-mail: fernandaufpr@hotmail.com)
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Oi! Espero que gostem. Foi muito prazeroso me entregar nessa historia, é ficcional, infelizmente.

Limão! 

9 comentários:

  1. Me envolvi tanto com a história que só no final eu me lembrei que o tema era cores...

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  2. Quando o menino começou a correr, pensei: Forrest Gump.

    Comigo é assim, começou a correr desenfreadamente eu penso no Tom Hanks, aquele lindo.

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  3. Sonhei com essa história, isso que dá dormir pensando no tema!

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  4. obrigado pela dica Rosana. Vc é mesmo boUUUa

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  5. Adoro o filme: Forrest Gump.

    Lembro que quando criança queria ser igual ele: um gênio incompreendido que tudo que toca virar ouro, mas queria ser feliz, tadinho ele só fica feliz no final...

    A parte de contar histórias e gostar de conversar eu já me identificava muito com o personagem

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  6. Gente, se tiver tempo por favor leia o trabalho no qual eu extrai a fotinho,. vale a pena

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  7. A vida é isso: tudo acontecendo com tantas cores ao nosso lado.

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  8. O tema aparece de uma forma tão surpreendente na história, achei.

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